passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
cuyaba nunca teve tanta pressa
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
os carros corriam
as buzinas cantavam
o asfalto pegava fogo na Floriano Peixoto
as sombras das bandeirolas a faziam tropeçar
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
passos largos, passos largos, passos largos
até que
atravessou a avenida
“era uma dessas tardes meio malucas [...], e a gente se sentia como se estivesse desaparecendo toda vez que atravessava uma estrada.”
as bandeirolas verdes, azuis e amarelas (talvez o verde fosse o resultado da dança)
gemiam ao sopro do vento que cortou por um instante as chamas do sol.
o frescor lhe limpou as gotas de suor
era dia de jogo do Brasil – lembrou
e por esse motivo não era para ela estar lá, a caminho do estágio.
passos vagos, passos vagos, passos vagos
passos vagos, passos vagos, passos vagos
passos vagos, passos vagos, passos vagos
passos vagos, passos vagos, passos vagos
mas os carros não.
as folhas das árvores caiam em meio ao vento como confetes.
ela aproveitou que o dia estava vago
e o vento a favor
para também voar
o mundo aos berros comemorava a nova cor no asfalto
a felicidade infinita
(de 5 segundos.)
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