sábado, 26 de junho de 2010

terça-feira

1

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos


cuyaba nunca teve tanta pressa


passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos


os carros corriam

as buzinas cantavam

o asfalto pegava fogo na Floriano Peixoto

as sombras das bandeirolas a faziam tropeçar


passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos

passos largos, passos largos, passos largos


até que

atravessou a avenida

“era uma dessas tardes meio malucas [...], e a gente se sentia como se estivesse desaparecendo toda vez que atravessava uma estrada.”

as bandeirolas verdes, azuis e amarelas (talvez o verde fosse o resultado da dança)

gemiam ao sopro do vento que cortou por um instante as chamas do sol.

o frescor lhe limpou as gotas de suor


era dia de jogo do Brasil – lembrou

e por esse motivo não era para ela estar lá, a caminho do estágio.


passos vagos, passos vagos, passos vagos

passos vagos, passos vagos, passos vagos

passos vagos, passos vagos, passos vagos

passos vagos, passos vagos, passos vagos


sem perceber parou na avenida para degustar a sua idiotice,

mas os carros não.


as folhas das árvores caiam em meio ao vento como confetes.

ela aproveitou que o dia estava vago

e o vento a favor

para também voar


o mundo aos berros comemorava a nova cor no asfalto


a felicidade infinita


(de 5 segundos.)

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